quarta-feira, 25 de novembro de 2009

100% gente!

Não ia falar, mas vou.
Dia 23 último foi comemorado o dia da Consciência Negra.
Como meu pai era mulato e, portanto, tenho meu percentual negro nas veias, posso falar sem nenhum resquício de preconceito - aliás, Denzel Washington está entre os 10 mais lindos e charmosos em minha lista, e se casamento fosse baseado só em beleza física, casaria com ele e jamais com o Tom Cruise.


No dia da Consciência negra, fiquei pensando até onde estamos indo em nome da chamada "igualdade racial".

Igualdade?

Fico imaginando o que aconteceria se eu saísse de casa usando uma camiseta com o slogan “100% branco”, ou ainda “Orgulho branco”.
Provavelmente seria presa por racismo, e a TV, na porta da delegacia, filmaria uma multidão gritando palavrões e me acusando de ser membro da KKK, de racista, ou neo nazista (que aliás, abomino e acho mesmo que tem que dar cadeia).

Não assisto novelas, mas li que muitos negros estão reclamando porque a heroína da novela das 8h da Globo apanhou da Lilia Cabral, uma branca, enquanto estava de joelhos, e que isso foi expressão de racismo.
Ué! Colocaram uma negra (aliás, linda) como heroína, sonho de realização de qualquer atriz Global, e reclamam se ela apanha, sofre ou é humilhada?


A lista de heroínas que apanham, são maltratadas, humilhadas e vão para a cadeia é extensa.

Cláudia Abreu, na novela "Belíssima", era ex-menina de rua foi vítima de uma armação, e foi parar na cadeia. Lá foi atacada e ficou entre a vida e a morte.
Deborah Secco, em "América", foi para a cadeia três vezes.
Suzana Vieira, em "Senhora do Destino", era uma nordestina e foi parar na cadeia por culpa do próprio filho.
Regina Duarte, na "Rainha da Sucata" (a sucateira), foi presa duas vezes.
e por aí vai...

Vida de heroína é assim: sofrer, ser humilhada e perseguida durante toda a novela, e ao final ter um final feliz.
Seria menos racismo nunca colocar uma negra no papel de heroína, só para evitar que negras sofressem na novela?
Ou agora, em nome da "igualdade social", vamos mudar as características básicas de uma heroína?
Lembram da Cinderela? Loirinha, branquinha, mas como era a heroína, foi humilhada o tempo todo pelas 3 irmãs de criação e pela madrasta. Tinha que ficar esfregando chão, enquanto as irmãs iam para o baile. Não tinha roupas bonitas e era escrava da casa, além de ser xingada. Durou o tempo todo, até que no final casou com o príncipe e viveu feliz para sempre.

Ah! Fala sério!

Numa época em que o presidente eleito em um país como os EUA (com história de racismo intenso) é negro, e em que um dos presidentes mais populares do mundo é um nordestino que tropeça na língua portuguesa, é hora de revermos nossos conceitos.

E relembrando o discurso de Luther King (aquele mesmo, "I have a dream..."):

"Não procuremos satisfazer a nossa sede de liberdade bebendo na taça da amargura e do ódio. (...) e a maravilhosa e nova combatividade que engolfou a comunidade negra não deve levar-nos à desconfiança de todas as pessoas brancas.
Eu tenho um sonho de que um dia, esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado de seus princípios: “Achamos que estas verdades são evidentes por elas mesmas, que todos os homens são criados iguais”.

Minha camiseta seria: Sou "100% gente". Ou "Orgulho de ser gente".

Pronto, falei!
(Em tempo: não gosto de novelas. Para ter os dados das heroínas de novelas acima, busquei no Google. Antigamente assistia e gostava demais, mas hoje não assisto a nenhuma. Atualmente, de forma geral, trazem péssimos "valores". Sugestão - desligue a TV, jante com a família, bata um papo, ouça música, assista a um bom filme. Pode apostar, o ganho será grande.)

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